30 de julho de 2011

#copa2014

A copa do mundo é nossa, mas e o nosso país, é também?



até quando a nação brasileira vai permitir que 
a única maneira de esses meninos serem "alguém" na vida
 seja sendo jogador de futebol?



28 de julho de 2011

#in.memoriam

 (texto escrito inicialmente ao blog da Camila Paier)

Essa coluna semanal é sobre a Alemanha, mas como sou muito fã do trabalho da Amy Winehouse, não consigo pensar em mais nada para escrever hoje, portanto, farei um link entre os dois. Vou descrever como foi a repecussão da morte dela por aqui.

Os noticiários alemães estão bem mais focados em cobrir os acontecimentos na Noruega, por questões de política e segurança que se relacionam muito mais com a Alemanha, do que a morte da cantora. Mesmo assim o ocorrido em Londres foi também bastante comentado.

A maioria dos canais televisivos e revistas, de maneira geral, cobriu a morte dela como a imprensa brasileira. Um diferencial que percebi foi um artigo comentando sobre a luta da cantora contra a depressão e bulimia. No Brasil preferem atacar somente o uso das drogas.

ninguém queria olhar para a câmera

A revista Der Spiegel, uma das mais conceituadas da Alemanha e super conservadora também, praticamente uma VEJA, é a que traz mais artigos em seu site. Comentam toda a trajetória artística e pessoal de Amy, pontos altos e falhas, muitas fotos e, ao mesmo tempo que elevam sua imagem à diva, escrevem sobre a vida dividida entre os palcos e as drogas, de maneira bem taxativa pregam contra o uso de substâncias ilícitas.

A revista Focus, que tem a capa igual a Época, traz o título “Bem-vinda ao clube dos 27” em eu artigo principal, uma alusão aos outros famosos e conturbados artistas que morreram na idade dos 27 anos, como vocês com certeza já leram por aí. Janis Joplin, Jimi Hendrix, Kurt Cobain e outros tantos. São infelizes coincidências da vida mas para estas pessoas em especial, como suas vidas não eram só mais uma entre as tantas entre a multidão, o foco no que faziam, produziam e consumiam é dado em lente de aumento.


A revista RollingStone versão alemã traz uma matéria interessantíssima sobre a “dança com o diabo” que era a vida pessoal de Amy com a imprensa. O artigo dizia coisas como querer sair do clichê e não se utilizar da morte dela para moralizar o discurso sobre drogas, mas que só pelo fato de estarem comentando sua morte já significava que estavam dentro do sistema que  justamente escreviam se opondo. Eles terminam o artigo dizendo o seguinte: “Não existe uma luta contra as drogas. É um jogo. Quando você para de vencer, ela ganha.”

Love is a losing game é um hino para mim. A voz da Amy me acompanhou durante tardes a fio no estágio. E agora sobramos nós com o curto legado da garota branca com voz de negra que falava com propriedade sobre as dores da mulher amargurada. E quem volta ao preto, ao luto, são os fãs como eu, que tinham a esperança de que a estrela de Amy voltasse ao colorido da vida sem abusos e sofrimentos. Mas o que podemos nós fazer pelos outros? E se ela quisesse mesmo morrer? Ou consumir drogas para aliviar um dor intensa na alma? Não de hoje que poetas, escritores e artístas em geral extravazam seus sentimentos no uso de substâncias “tóxicas”.

Se sua beleza e profundidade musical era dada sob esses efeitos, e se a vida dela assim teve que ser, que assim seja. Paremos de tentar encontrar respostas onde não há dúvidas. Só digo mais uma coisa: Espero que o céu seja open-bar!

27 de julho de 2011

#prosit

Trinken, saufen, zechen, verbos que significam a mesma coisa: beber! Êta hábito bem executado por esse povo alemão. Cervejarias centenárias, sucos frescos em garrafa, vinhos franceses, caipirinha do Brasil, água pura e límpida - da torneira. Não importa o que está no copo, o alemão bebe, e bebe muito!

Não custa muito comprar uma bebida aqui, seja alcoólica ou não. Toda refeição sempre tem como acompanhamento um vinho, suco, ou cerveja, as opções de escolha são muitas. Eu demorei bastante tempo até provar as mais consumidas. Só não tomo café e seus derivados, isso eu não faço, me desculpe, apesar do café ser apontado como a bebida mais consumida pelo povo alemão no ano de 2009, vencendo até mesmo da água e cerveja, no cálculo per capita (Dados da Agência Federal de Estatísticas (Destatis).

Então, começando pelas leves. Aqui se pode tomar água da torneira. O estado tem fama de possuir a água mais pura do país! Eu não sei qual é a fonte, se vem do derretimento da neve dos alpes ou lençol freático, só sei que é fresquinha, apesar de conter uma concentração alta de cálcio.

A maioria das minhas colegas tem sempre uma garrafa de 1,5 L de água com gás na sala de aula. Eles adoram bebidas gaseificadas. A predileta penso que é a Apfelschorle, que não se iguala a nada que eu já tenha provado no Brasil. É como se eles colocassem o gás do refrigerante na garrafa do suco de maçã.. na verdade é exatamente isso. É um refrigerante saudável, pois é verdadeiramente feito de maçã. Ainda falando em maçãs, existe uma bebida, tipo vinho, feita com maçãs especialmente produzidas para ela. Se chama Most, e a maçã tem gosto horrível, uma vez caminhando pessamos perto da plantação e colhemos duas (eu e o Walter) na hora da mordida, ui! Era azeda. Um menino que passava de bicicleta pela rua gritou "das ist Mostapfel, kann man nicht essen" (é maçã de Most, não se come!). Essa bebida é típica daqui da região.



Da maçã para a uva, um bom presente para dar se você for visitar um alemão  é o vinho. Dependendo da refeição, dos donos da casa, os vinhos franceses são a pedida certa, sempre. Os vinhos baratos aqui não dão ressaca no dia seguinte, ou deixam a boca da gente parecendo fãs de batom roxo (quem nunca bebeu um desses na vida?). Há também os chilenos e argentinos no mercado. No inverno se bebeu bastante quentão – Glühwein – vendia-se até mesmo em caixinhas, como as do leite, no mercado.

Agora, seja inverno ou verão, a bebida que deu fama à esse povo é a protagonista de todas as festas populares dessas terras germânicas. A cerveja, claro! São mais de 1200 cervejarias espalhadas pelos estados federativos, produzindo a dita para mais de 5 mil marcas. Uma compete com a outra pela qualidade e pureza. A pureza da cerveja é muito importante para as empresas alemãs. O duque Guilherme 4º, da Baviera, decretou em 1516 o conceito de pureza que vigora até hoje. Só é permitido o uso de quatro elementos para a fabricação da bebida: o malte, o lúpulo, a água e o fermento. Em outros países, como o Brasil, costuma-se complementar ou substituir parte dos ingredientes por certos cereais como amido,  arroz e ou até mesmo milho. Até porque deste modo a produção fica mais barata.

Segundo a mesma pesquisa que citei anteriormente, o alemão consumiu em média no ano de 2009 109 litros de cerveja por cabeça (ou fígado). Sério, você não consegue imaginar até entrar na parte de bebidas do mercado. É uma variedade absurda de marcas, cores e sabores de cerveja.

Tem uma muito popular entre as mulheres, por ser mais leve, chamade de Radler, ela é misturada com limão (mas o gosto é bom até). Descobri esses dias que na máquina automática de coca-cola do ginásio da faculdade vende esse tipo. Tirei até foto por não acreditar no que via!

Não se bebe como nós no Brasil, 3 garrafas para uma mesa de 5 pessoas. Aqui, cada um tem a sua garrafa, ou copo de 500 ml. SIM, meio litro de cerveja para cada pessoa. Parace exagero, mas não é (ou é e eu que já não encaro como um.). Se bebe devagar, conversando, a cerveja até esquenta um pouco, mas nada que estrague o sabor.

Eles adoram brindar bastante, é falta de respeito não olhar nos olhos de quem está tocando a garrafa na sua. E após brindar, se não beber é mais feio ainda! Alemães e suas tradições. Tenha certeza, fã ou não de cerveja, uma vez entando na Alemanha você também irá provar dessa bebida milenar. Não duvide disso.

Portanto, um brinde! que já estou ficando com sede.