3 de setembro de 2010

#agonias


Ode à “Mentiras” de Adriana Calcanhoto



Nada ficou no lugar...

E eu escarrada no colchão
a esperar o teu “bom dia”
que, como de costume, não viria.

Eu vou escrever no seu muro
as lamentações da mulher usada,
as amarguras da amante abandonada,
a dor de quem no coração leva um murro.

Nada ficou no lugar...

Novamente estou eu sem chão, sem teto.
Sou as sobras refeitas da falta de afeto.
Não preciso mais deste furacão de emoções,
No ar me comprimo e no fogo busco as razões.

Eu vou publicar os seus segredos,
Quero acabar com sua alegria. Vomitar em seu dia.
Mas assim que anoiteço, me perco de novo
Em suas mãos enlouqueço, e me esqueço ..
[me esqueço
Nada ficou no lugar...]



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31 de julho de 2010

#simplesmenteClarice

Hoje fui assistir Simplesmente Clarice Lispector, peça estrelada, produzida e dirigida por Beth Goulart. A não ser o fato de ao mesmo tempo estar acontecendo um show gospel não muito longe do teatro, o que atrapalhou nossa audição no início da peça, ao transcorrer suas falas, seus gestos e seus olhares, fui sendo absorvida ao mundo de Clarice de maneira avassaladora e sublime. Me apaixonei. [Explosão] Eu já conhecia a escrita desta e a atuação daquela, mas fui surpreendida pelo banho de palco que presenciei e por temas por mim ignorados todos esses anos, que foram tão fervorosamente abordados pela escritora.


Obrigada Beth, muito obrigada, por ter nos trazido de volta aos ensaios, ensejos e anseios da mãe do Brasil. E obrigada Clarice, pelas palavras, pela raiva, pela não indiferença diante da vida. Enfim, por ter existido.


Agora posso morrer.



Ah, e a Tanay confirma tudo que acabei de descrever.

tirei foto na hora das palmas...

segue o link http://twitpic.com/2a7ddj