10 de dezembro de 2011

#water



"
A água me sustenta sem ao menos eu tentar, 
posso ter todo peso do mundo, 
que mesmo assim continuo a flutuar.
eu nado, afundo e sem querer volto à superfície,
pois desisti da minha própria morte
e a água já não consegue me afogar.
"

Mei

9 de dezembro de 2011

#decida


nos conhecemos primeiro. você me amou primeiro. eu me entreguei primeiro. porque raios agora sou eu a outra, se nessa corrida maluca ao seu lado no trono fui eu quem chegou ao topo do pódio?

desisto de tentar compreender o que impulsiona os relacionamentos. se de fato fossemos mesmo racionais, como orgulhamos falar e brandar, não escolheríamos parceiros pelo tesão, e sim, somente pela afinidade-amizade-companheirismo. pode ser que eu fale isso porque perdi quem eu queria para a gostosinha vulgo burrinha, pode ser, egos magoados tem disso, achar defeitos nos outros e não em nós; respostas para perguntas inexistentes. mas não consigo compreender ser trocada quando não há troca, há sim um congelamento de situações e acordos sentimentais não verbais: “você continua comigo e eu continuo indo à diante com outra. Mas por favor, continue aqui estagnada, parada, estática, pois você é meu back-up plan, beibe”

a gente inventa um lance para se destrair, mas só nos confundimos mais quando paramos para discutir nossa situação. pois claro, temos uma situação entre nós aqui, só não a deciframos ainda. um rolo, massa de bolo doido, algo indecifrável mesmo perante às mais modernas relações.

me sinto como em uma música do djavan. a decisão é sua. sempre foi. para de adorar o “se”, homem! diga se sim, se não. diga se me quer ou me deixe ir de uma vez. zero a zero ou um a um é empate, e duas vezes! eu quero vencer essa partida ou desencadear o choro da derrota merecida de uma vez por todas. empate não vale mais que um ponto. ou seja, não vale nada no meu placar. meu contador é outro. e está parado, como se meu coração estivesse suspenso de jogar. chega. eu largo a toalha no ringue.

de-ci-da-se.

26 de novembro de 2011

#adiante


te encontrei inevitavelmente ontem na calçada, infeliz coincidência estarmos no mesmo lado da rua, no bairro em que eu moro. tentei passar reto, direto, não te dar oi, ainda ressentida pelo nosso fim sem desfecho, mas você, como sempre, sorridente, prepotente, conquistador, não deixou com que eu me desviasse.

– oi? como estás? faz tempo que não nos falamos.
- é, eu tô bem. vivendo, sabe?

mas faíscas reluziam de meus olhos. que momento mais embaraçoso pode ser este de conversar com alguém que não te liga mais, já tem outra namorada e mesmo assim, parece fingir, ou realmente acreditar, que nada entre vocês mudou. meu querido, acontece que mudou. no começo mudou pra pior. chorei ao ver seu novo relacionamento crescendo e tomando forma. invejei não ser aquela que com você agora dividia as tolices do convívio diário. solucei ao perceber o quão sério o sentimento de vocês se tornou. amaldiçoei o dia em que você entrou na minha vida e me fez feliz, tola e apaixonada. praguejei ainda mais sua existência, por ter saído sem dar explicações da minha história. coloquei na balança se estava realmente mal sem sua presença. até que finalmente te esqueci. te esqueci e te esqueci. então te reencontro agora e me sinto congelada. jurei por alguns segundos que não conseguiria passar por você sem me controlar, te agarrar ou berrar “por quê?”. mas, amigo, sabe qual foi, para a minha surpresa e talvez sua também, a minha reação? um combo entre  indiferença, serenidade e alívio.

- você tá mais bonita, posso te ligar pra gente marcar alguma coisa?
- claro, tens meu número ainda?

aí eu caio na cilada de achar que você vai realmente me ligar. dar importância para mim novamente, mas logo passa. depois de tantas voltas que você me deu, fui vacinada forçosamente contra suas picadas de charme que só servem para ludibriar as moças despreparadas. que orgulho senti, ao chegar em casa e pensar que você já não me afeta mais. nem por raiva, nem por tesão. simplesmente acabou. nem mágoa, nem vontade. o coração aprendeu com o erro, ou o tempo, ou ambos, ou porque quebrou-se em mil e custou muito para se consertar e ficar inteiro, pronto para novas emoções.

- foi bom te ver, tá? tô com pressa, sabe?
- eu te ligo dessa vez, viu menina? se cuida.

claro, sei, você vai me ligar. me liga em seu desejo inconsciente de bancar o Don Juan, me prendendo novamente em suas redes ardilosas e galanteando-me como se eu não soubesse de seus truques picareticos de sedutor alfa que não pode, jamais-nunca-impossível-de-acontecer, sair sem deixar sua marca borrifada no ar do ser oposto que encontra. mas eis que as pessoas mudam, e apesar de você não acreditar que perdeu efeitos criptoníticos sobre mim ou qualquer outra, seus truques de mágicas não surpreendem mais, eu juro. e o que antes parecia ser uma piada de mal gosto do destino, colocando-nos um de encontro ao caminho do outro, agora reconheço como um teste probatório, para deixá-lo ir seguir o seu rumo, que eu sigo, eu sigo adiante, simplesmente, como tem que ser.

16 de novembro de 2011

#confesso

"Peso" não define beleza


Sou gorda. É, eu sou gorda, confesso, e agora? você gosta menos de mim porque soube disso? Bem amiga, tem gente que ainda age assim, acredita? Às vezes minha vontade é dizer:  e que te importa o tamanho do meu corpo? É você que paga pelas roupas que eu compro? Daí eles dizem que é preocupação com a minha saúde. Será? será mesmo só cuidado com a minha saúde? Que mania de achar que todo gordo/a é doente. Doente é quem não se importa com a própria vida e inferniza aqueles que são felizes da maneira como são. Seja por acreditar que foi Deus que fez assim, ou culpa do acaso, destino, universo, por serem especilmente do jeito que vieram ao mundo, de um modo ou de outro, sinto que a ciclicidade da história está mais uma vez trazendo à tona que o jeito “normal” de ser não é o padrão no qual você está tão habituada e crê que seja.

Domingo no programa Estúdio Santa Catarina da RBS (filiada da rede globo em SC) que passa após o Fantástico, a reportagem principal era sobre uma  menina exemplo de superação pois ela emagrecera 31 quilos sem cirurgia nem remédios. Nossa, que exemplo! Ok, não é fácil emagrecer, não desmereço o esforço da colega, mas por isso ela virou modelo de alguma coisa? Superação na vida tem a mãe solteira que cria dois filhos sem pensão; o pai desempregado que se sujeita à qualquer sub-emprego para conseguir trazer comida pra casa, ou os avós que com o pouco de aposentadoria que ganham sustetam famílias. Isso sim é superação-modelo-exemplo de alguma coisa valiosa.

Se amar e aceitar-se é a tarefa menos difícil de realizar nessa cruzada moderna que travamos nós - do tamanho fora do “padrão” - diária e constantemente contra os estereótipos. Ao diabo revistas de dieta! Ao inferno ditadura da beleza! A moda não usa tamanho único, por que raios deveria eu usar? Não sou contra, nem faço camapanha para que você seja também, quem queira se arrumar bem, se produzir, vestir-se com estilo. Minha questão não é esta. Sentir-se bem com o corpo que se habita, seja adequado ao “padrão” ou não, é o que eu me refiro. Eu não deio gente magra, muito pelo contrário, mas conheço algumas que deixam transparecer muitas vezes o ódio que sentem de gordos que se orgulham, ou pelo menos não reclamam, de serem assim.

- cada um se respeitando por ser o que é, será que é pedir muito?

13 de novembro de 2011

#stalker



vou de rede social em rede social, clicando no F5 esperando te encontrar online. um mízero olá, bom dia, como vai? já alegra meu tolo coração. eu espero notícias tuas o dia todo. quando você atualiza seu status eu espero que tenha alguma relação comigo. mas não tem. você não se importa. você não me nota. não sou nada mais. você começou uma nova amizade e com apenas um clique fui substituído.

o abismo que as relações virtuais construíu me isola do seu mundo e assola o meu. grito, esperneio, mas não sou ouvido. eu te chamo. eu dou dicas. eu deixo migalhas pelos caminhos, mas você já não me segue mais. é triste ver como não tenho o mesmo espaço no seu dia como nos dias gloriosos de nosso relacionamento, apesar deste ter sido desde o princípio completamente enrolado. eu não deveria te venerar da maneira como faço, mas é inevitável. talvez seja a falta de um deus, da igreja, de ídolos, ou mesmo de livros interessantes para ler. acontece que em minha vida, você foi pior que qualquer vírus que tenha um dia estragado meu computador ou uma formatação sem nada salvo! em frente à tela pareço um adolescente platonicamente apaixonado, babando pela afrodite intocável. adoro a imagem de outrém que não me vê. se eu fosse narcíso, o feitiço lançado sobre mim não teria efeito e o mito nunca teria sido criado. é o outro e sua imagem hipnotizadora que me importa, o eu não existe mais.

infeliz, desolado, me resta te seguir, te observar, ler e reler o que você escreve, ver e ouvir, o que você ouve. louco, doidivano, maníaco e obsessivo. meu vício é o pouco de ti que tenho acesso. aquela foto, aquele escrito. algo que me remeta aos momentos juntos. ao seu olhar, risada, jeito de falar. tento levar meus dias sem esse vício, mas é mais forte do que nicotina. é claro que quero te equecer, mas não agora. por esse momento, me contento com a presença virtual da sua ausência física.

- um link vazio. uma página existente que teima em não abrir.

Meiri.

10 de novembro de 2011

#jessé

Se tem um cantor que muitos de nós, de vinte e poucos anos, renegam o prestígio ou nem mesmo conhecem, é o Jessé. Morto em 1993, quando éramos ainda crianças, ele possui as mais belas poesias musicadas que um cantor brasileiro um dia compôs. Não entendo porquê do esquecimento. Não faz sentido! Faça um favor ao seu conhecimento de mundo/brasileiridades/musical e coloque esse nome agora mesmo no youtube e deleite-se como eu estou fazendo agora mesmo.






"Rimas, de ventos e velas
Vida que vem e que vai
A solidão que fica e entra
Me arremessando
Contra o cais.."
Porto Solidão 
"Voa, nas manhãs ensolaradas
Entra, faz verdade essa ilusão
Voa, no estalo do meu grito
Quero ver teu infinito
Nesse azul sem dimensão"
Voa Liberdade


"A saudade lembra de lembranças tantas
Que por si navegam nessas águas mansas
A saudade lembra de lembranças tantas 
Que por si navegam nessas águas mansas"
Solidão de Amigos

6 de novembro de 2011

#procuro



onde será que enterraram os restos mortais do romantismo? ando tão cansada de bancar a mulherzinha moderna, super-heroína, aquela sem interesse em compromissos, em relacionamentos sérios,  que estou pronta pra incorporar a paleontóloga e escavar onde for para resgatá-lo. é de admirar-se a falta de sensibilidade que acomete algumas pessoas da “nossa” geração. (re)inventamos o verbo "ficar" e somos nós que ficamos na mão quando o desejo de oficializar quaisquer namorico aparece. quero de volta notar o rubor nas bochechas da pessoa que me encontra; reconhecer um brilho diferente no olhar do outro quando estes com os meus se cruzam. sem pieguices, que também não sou dessas, mas meu eu-afetuoso está cansado de ser massacrado pela secura das relações que me cercam. quero andar de mãos dadas em algum parque nas tardes de domingo. sentir novamente um nervoso antes de ter meus lábios tocados por alguém especial pela primeira vez. a folia da micareta não faz sentido no mundo. eu quero alguém que me dê flores, mesmo sendo amigo. alguém que me escute, e não queira apenas fazer sexo. poder recitar poesias de amor sem parecer clichê. nada de clarice, nem caio, nada profundo, conturbado, nem moderno e contemporâneo. eu quero  o sofrimento do werther, de goethe, que se mata em nome de uma paixão inconcebível. ou da isolda, de wagner, que ao encontrar seu tristão morto, sucumbe à morte de tristeza pois não suportaria a vida sem o seu verdadeiro amor. há dias que simplesmente acordamos assim, querendo amar, querendo morrer. ter o que sentir na carne, na alma, na vida offline. eu hoje quero um amor a moda antiga e não apenas alterar meu “status” de relacionamento das redes sociais das quais participo. se amanhã ainda estarei assim, não sei. sei que neste momento quero o mesmo amor de camões: aquele que ardia sem se ver, doía sem doer, nunca contentava-se de contente, ganhava ao se perder.

meiri.

3 de novembro de 2011

#ir]rir


"No fundo o horizonte
sopra o murmúrio para onde vai.
No fundo do tempo
foge o futuro, é tarde demais...

                                            E uma vontade de rir nasce do fundo do ser.
E uma vontade de ir, correr o mundo e partir, 
a vida é sempre a perder..."


Xutos e Pontaapés

31 de outubro de 2011

#drummond



No meio do caminho tinha uma poesia
tinha uma poesia no meio do caminho 
tinha uma poesia 
no meio do caminho tinha uma poesia.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão incipientes. 
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma poesia
tinha uma poesia no meio do meu caminho
no meio do meu caminho tinha uma poesia.


Minha pequeníssima homenagem ao mestre dos magos poetas, Carlos D. de Andrade, que hoje faria 109 anos, se vivo. O corpo vai, o texto fica.

27 de outubro de 2011

#24




Outubro, domingo 16 , pela 24ª vez em minha humilde vida foi dia de comemorar mais uma primavera (literalmente). Sempre nessa época do ano eu me afogo e encalho no fundo de meus próprios sentimentos; entre todas as memórias do passado e suas sensações correspondentes; monto uma balança mental entre erros e acertos para medir como resultaram as atitudes por mim tomadas. Mesmo tendo tão pouca idade, se comparada aos meus pais, avós, e tias, sinto que sim, tenho muito já o que ponderar.

Aos 24 anos de idade minha mãe já era minha mãe. Minhas avós já tinham mais de 4 filhos cada. Mozart já tinha composto grande parte de seus sucessos. Dom Pedro I já havia declarado a Independência do Brasil. Machado de Assis já era uma personalidade considerada entre as rodas culturais da sociedade carioca. Pablo Ruiz y Picasso já assinava suas obras com um simples “Picasso”. Frida Kahlo já era casada com Diego Rivera. Clarice Lispector já tinha publicado “Perto do coração selvagem”. Senna já era piloto da Fórumula 1. E eu? O que o eu faço/sou/desenvolvo em plenos 24 anos de idade? Dizem que não devemos nos comparar com ninguém nesse mundo, que cada ser é um indivíduo único e especial. Mas quem acalma os anseios daqueles que não cabem em si e querem transbordar a todo custo?

Não sei se a melancolia que me abate sempre no mês de outubro é causada pelo tão famigerado “inferno astral” ou se dessa vez é ainda reflexo da readaptação aos velhos costumes e lugares (outubro do ano passado eu tinha também acabado de me mudar pra Alemanha). Não paro de pensar se optei pelos caminhos certos, se x era de fato melhor que y. É muita informação, escolha, gente opinando em nossa vida. Aconselhando para o bem ou para o mal; e mal sabem eles as interferências perigosas que causam na vida da gente. Bom seria se eu não me importasse, mas não é o que acontece. Libriana em demasia como sou, sofro das angustias de quem não tem nunca certeza entre as opções que escolhe.

Não sonho em fazer nada grandioso como ganhar um Nobel ou viajar pra lua. Essas sandices já abandonei na infância. Mas temo não viver os sonhos que poderiam sim tornar-se realidade, ou chorar pelo passado esquecendo-se do presente, ou muito planejar o futuro e não colocar em prática nada que me ajude à chegar lá. Isso me dá medo. Viver sem ver a vida passar. Me ocupar com a presença das ausências e nunca por completo ser ou estar. 

20 de outubro de 2011

#diadopoeta



"O poeta é um fingidor
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve
Mas só as que ele não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
   Que se chama coração."

Autopsicografia, Fernando Pessoa.

18 de outubro de 2011

#mereconheça



Você já ouviu essa música do Frejat, Amor pra recomeçar? O refrão é bonitinho, desses que se decora fácil e se canta junto nos shows: “desejo que você tenha a quem amar / e quando estiver bem cansado / ainda, exista amor pra recomeçar.. pra recomeçar”. O vi pela televisão, cantando no Rock in Rio sábado e acordei hoje com essa música na cabeça. Essa música é uma bela lista de desejos para alguém, que certamente, ele considera muito. Desejar verdadeiramente algo de bom para alguém é um gesto muito nobre. Nem todos são capazes. Especialmente quando se convive com gente que só sabe desejar o mal ao outro e não poupa ninguém ao seu redor, seja na escola, faculdade, ou no trabalho, com comentários recheados de mal agouro. Mas, retomando o refrão, o que é mais difícil: ter amor pra recomeçar ou encontrar alguém para amar?

Ah o recomeço.. seja o de encontrar um novo amor, ou começar com a mesma pessoa uma nova relação quando a antiga estiver desgastada. Recomeçar é assustador. Mas viver como um filhote de cachorro que corre, corre e corre ao redor do próprio rabo é muito pior. Sem novos projetos, planos, ideias, ou atitudes espontâneas, haja amor pra aguentar o tédio da mesmice. Já diria Paulinho Moska “é tudo novo, de novo. Vamos nos jogar onde já caímos.” Sem medos nem rodeios, inventando uma nova versão para a antiga canção.

Já no quesito encontrar um amor, para mim, é tarefa impossível. Primeiro, não é você que o encontra, e sim, é encontrada/o. Aí a probabilidade de ser encontrada por um alguém que te ame nesse mundo com 7 bilhões de habitantes é mínima, e não é que acontece? Contra todas as probabilidades e cálculos da matemática, o amor acontece. E parafraseando Lenine, o amor é “Avassalador, chega sem avisar / Toma de assalto, atropela, vela de incendiar / Arrebatador, vem de qualquer lugar / Chega, nem pede licença, avança sem ponderar”.

Mas amor, de você sei quase nada. E quem é que sabe? Sei que acontece. Que pode ou não durar. Que dói quando acaba. Deixa marcas profundas. E que é bom. E o bom do amor é mais forte e supera tudo (ou quase). Se conhecer alguém que te ame é mais complicado do que se manter com este alguém, eu não sei responder. Mas sem amor (e não falo somente sobre aquele que vem do outro) é impossível viver.

“Amor, meu grande amor, só dure o tempo que mereça / E quando me quiser / Que seja de qualquer maneira / Enquanto me tiver / Que eu seja o último e o primeiro / E quando eu te encontrar, meu grande amor / Me reconheça...”

13 de outubro de 2011

8 de outubro de 2011

#cântico-negro


"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!



José Régio

30 de setembro de 2011

#amorfo



Imagine um quebra-cabeças. Ele é sua vida, mas você é apenas uma das peças. Agora, pegue essa peça que é você, retire do conjunto, molhe, queime no fogo, amasse e tente recolocá-la no mesmo ponto de onde ela saiu. Pensou? Essa sou eu. Hoje, exatamente no dia de hoje, eu decolava junto aos meus sonhos, esperanças e nervosismo, há um ano atrás, para a Alemanha. E você acompanhou aqui de perto muito do que vi e vivi por lá, até o famigerado dia do “adeus”. De volta já há pouco mais de um mês, esperava uma readaptação menos dura do que venho enfrentando. É claro que fiquei feliz ao rever parentes e amigos/as, das risadas compartilhadas, abraços afetuosos, até mesmo pelas lágrimas de saudade. No entanto,  voltar a fazer parte da mesma pintura que já se conhece tão bem parecia-me na ideia menos difícil de realizar do que está sendo na prática.

Compartilho do que sinto com várias conhecidas que já foram e voltaram de intercâmbios ou longas viagens, e todas sentimos o mesmo: a forte presença de uma falta de alegria gerada por constantes novidades. Vou explicar melhor. Quando estamos fora do lugar  onde moramos, seja uma cidade vizinha, praia, campo, país estrangeiro, temos a oportunidade de congelar o tempo, por mais que a ciência diga que não. Saímos, mudamos, conhecemos, nos alegramos com as pequenas novidades diárias que uma rotina nova, seja de passeios ou estudos fora do país, nos proporciona. Porém, quando voltamos, o filme está pausado na mesma cena que deixamos para trás. Os problemas não resolveram-se sozinhos, as pessoas não amadureceram na velocidade que você e muito menos passaram por transformações que só quem muda sofre. E é essa a dificuldade que a tentativa de encaixar-se novamente proporciona. Você não é mais a mesma peça, por mais que deseje desesperadamente ser. E isso não vai mudar, a não ser que sua pecinha de papelão não tenha absorvido nada no novo habitat, e ao voltar continue encaixando-se normalmente.

Belchior uma vez escreveu (e Elis cantou) que “o passado é uma roupa que não cabe mais”. Só que no meu caso o presente é essa roupa e o regime para caber de novo nela é cruel. Por isso rasguei o quadro antigo, quebrei sua moldura e doei as roupas velhas que já não me cabem mais. Estou em frente à uma folha de papel em branco, imaginando o que escrever ou pintar para retratar essa nova história da mesma personagem que agora tenta montar um novo quebra-cabeças para ter onde encaixar sua tão surrada peça.

28 de setembro de 2011.

29 de setembro de 2011

#novo?



Não é dezembro, muito menos janeiro, não é ano novo, nem meu aniversário, mas hoje eu lembrei daquela listinha que a gente faz no começo de todo ano que chega, se enganado, se prometendo, se iludindo que será tudo diferente quando na realidade quase nada muda.
E reler a lista de vez em quando, quem faz? Quem lembra ao longo do ano do que se comprometeu lá no reveillon? A gente se engana que vai finalmente fazer isso ou aquilo, por quê? Pra quem? De que forma uma listinha feita as pressas antes da balada da virada ou da janta em família, se torna realidade?

Arranjar um namorado? Fora da lista. Comprar um carro? Fora da lista. Com o passar dos anos fui sendo mais honesta comigo e diminuindo minha lista de afazeres anual. Até emagrecer aqueles dez malditos quilos a mais eu excluí da coitada. Fui assim me aceitando mais, aceitando mais o acaso e desejando menos o impossível. Quase nada do que acontece em nossas vidas é planejado. A gente até se engaja em fazer acontecer vários dos pontos, como  por exemplo procurar um emprego, mas onde você acaba trabalhando, só o destino sabe. Ou um atleta que coloca como meta ter tais e tais prêmios na estante, para ganhá-los pode demorar anos de muito suor e treinamento.

É tanta atribulação no dia a dia que mal dá tempo de colocar em prática a lista da semana, quiçá do mês. Por isso joguei minha lista de resoluções do ano novo pro alto e bati palma, larguei mão e não me arrependo. Me desapeguei desse ato cultural que tantos fazem pra nada. Porém, tiro meu chapéu com louvor  pra você que leva a cabo a lista, you are the champion!  Ah, e aquela nota de um dólar não fez diferença alguma também dentro da minha carteira, mas essa já é outra história.

Viver o aqui e o agora, sem lista alguma me guiando, é a maior das lições que a vida já me deu. Então, relaxe se você também não consegue colocar em prática aquela listinha que começa quase sempre assim “esse ano eu farei: ...”. Se organizar não significa viver como um cavalo encilhado. E não se iludir mais não significa deixar de sonhar com dias melhores (pra sempre).

12 de setembro de 2011

#não-devia




"Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.

A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.
A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.
A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma."

Marina Colasanti

#dia-dê

(texto publicado originalmente no blog da Camila Paier, no "dia do sexo")

As unhas arranhando as costas lentamente por baixo da camiseta. As fibras das calças se estranhando. – Apaga a luz, vai. O clima perfeito, só faltava uma musiquinha... Pronto, não falta mais. Ele colocou Adele e você suspira. A pele arrepiada, aquele frio na barriga. As mãos se encontram, as bocas secam. Até seu transpirar é outro. O amor acontece. Ou aquele sexo selvagem que não deixa nada a desejar. Dormir ali ou ir pra casa? Será que eu me levanto e vou embora? E a maquiagem no dia seguinte? Esqueça, vai acordar parecendo uma panda em extinção, mas vai continuar linda. É hora de celebrar. A mágica aconteceu.

No dia novo que chega você se pega de repente cantando, sorrindo sozinha, parecendo mais uma louca na rua. A face não mente. Apaixonados ou não, aqueles que foram dormir após um belo (e literalmente) ato são reconhecíveis ao longe. Geralmente são aquelas pessoas que sorriem do nada. E nada poderá deixá-los estressados hoje. Trânsito parado? Bobagem. Gente barulhenta no trabalho? Besteira.  Uma bela e ardente noite de paixão tem esse poder sobre as pessoas. Será então que está faltando mais sexo (de boa qualidade) para o bem da humanidade? Não que todos necessitem dele. Há quem viva sem, é feliz assim e nem teve que fazer voto de castidade. Há que não viva sem, e o voto desses é que o método contraceptivo funcione sempre.


Seja uma rapidinha ou horas intermináveis que valerão mais que o dia na academia, fazer e falar sobre sexo hoje acarreta bem menos tabus e preconceitos do que há uma ou duas décadas. Mas nem por isso deixou de existir a perseguição em tribos que cortam o hímen da mulher para que esta não tenha prazer, ou os haréns, ou os eunucos, ou os estupros. Quebramos um tabu de cada vez. A cada dia. É preciso estar atenta para não deixar transformarem o seu imaginário em um purgatório. Cada um é dono do seu próprio corpo, e o usa como quiser. Apensar de a dica do “se cuide” continuar valendo. Sexo é bom, é fonte de prazer e não há mais nada de errado em pensar assim. Quando os corpos se unem de maneira armônica , com sentimento e consentimento, o corpo se funde com a alma e você está mais perto do transe do que se estivesse meditando. Mas conheça seu corpo, experimente sozinha sem vergonha alguma, e acima de tudo, respeite seu tempo. O importante não é o que os outros dizem, mas sim, o que você sente (ou está louca pra sentir). E quando o dia D chegar, pela primeira ou enésima vez, aproveite!


P.S.: meninas, só um esclarecimento, hoje não é o dia do sexo oficialmente. Essa ideia foi criada por uma empresa de preservativos em 2008, para brincar com a data 6/9. Mas já que todas estão falando sobre isso hoje, não ficamos de fora do babado! Até porque, dia do sexo, assim como das mães e dos pais, é sempre!

5 de setembro de 2011

#suma

o que é que eu deveria te dizer? boa sorte?
e o meu coração despedaçado como fica? 
não fica.
não sente.
não chora.
ele não é o seu. de pedra, de aço, gelado.
não, eu não vou te desejar sorte, nem felicidades.
eu quero que você morra.


não, não morra. morrer é muito definitivo.
mas suma. suma enquanto refaço e reparo os cacos do que sobrou de mim.

4 de setembro de 2011

#conclusão






Não há mais nada para perder.
Não há mais nada para achar.
Não há nada no mundo
que possa mudar minha mente,
nem me fazer chorar.
Quando se decide partir, 
se decide terminar.
E o que é o fim, se não
um novo começar?


mei

1 de setembro de 2011

#não-vi


Desde que se lançou com cantora, em 2003, Maria Rita caiu nas graças da crítica brasileira e latino-americana por trazer esperança e um novo sopro à indústria fonográfica do continente. Porém, as comparações feitas entre ela e sua mãe, ou ela e outras mulheres mais magras e sensuais, foram uma tormenta no começo da carreira da cantora.

Foi uma criança tímida, como todas as outras, mas podemos tratar com normalidade ter sido gerada por uma das intérpretes de maior talento que o Brasil já teve, ser afilhada de Milton Nascimento e ter um pai com o currículo musical que tem? Estudou por oito anos nos Estados Unidos, exatamente naquela fase da vida em que, nós depois dos 20 sabemos bem como é. A transformação de aborrecente para jovem. Tudo que desejamos nessa faixa etária é a distância da família, galgar nossos próprios passos. Porém mais tarde, entre erros e acertos, olhamos para trás pensando “como eu fui tão infantil?”. Paciência. Faz parte do caminho de muitos, famosos ou não.

Maria Rita Costa Camargo Mariano tem sobrenome, e muitos. Infelizmente ele pesa muitas vezes na busca pelo sucesso profissional, e sem certos contatos, iniciar uma carreira, seja a área que for, pode ser tarefa penosa. Com Maria Rita não seria diferente, caso escolhesse seguir a mesma carreira da mãe. E dentre todas as profissões no mundo, foi justamente ao chamado artístico que ela atendeu. Nas palavras da mesma: “Sempre quis cantar. Mas a questão não era querer. Era por quê. Não gosto de fazer nada sem ter um porquê. Fica mais fácil quando você tem um objetivo, uma meta. O motivo passou a existir quando percebi que ficaria louca se não cantasse”.


Sábado à noite fui ao show da artista acompanhada de bons drink amigos, que aconteceu aqui em Florianópolis. Samba, drama e muita presença em palco, marcaram a noite maravilhosa. Após as duas músicas introdutórias, Maria Rita conversou conosco, o público, agradecendo pela nossa coragem e fé na artista, por terem confiado em ir à um show sem título. “Um show que não é de DVD, de CD, nem cenário tem...” foram as palavras dela. Ela queria ficar livre para passear por canções que à tempos que não apresentava. Djavan, Milton, Rita Lee, Lenine, O Rappa e todos os compositores sambistas fizeram parte do repertório que combinava alegria e dor entre uma música e outra.

Eu praticamente não pisquei por duas horas. Infelizmente não estava em frente ao palco, como adoro ficar, pois existe uma máfia entre as casas noturnas de Floripa que impede uma estudante de classe média sentar entre a elite manezinha que pode dar-se ao luxo de pagar R$200,00 por um ingresso. Mas mesmo assim, como estes ficaram imóveis durante todo o tempo, pude ter uma visão privilegiada do palco, já que estava rente à divisória. Fãs e mais fãs espremidos ao fundo do local do evento, por não poderem pagar. Uma verdadeira lástima.

Sem sobra de dúvidas (sim lindas, é sobra e não sombra como todas fala) Maria Rita destaca-se no cenário musical por mérito próprio. É inevitável compará-la com a mãe, mas creio que até ela tenha consciência de que as semelhanças são muitas e deve entender isto como elogio.
Ela brilha no palco, encanta e envolve, como sabemos que a grande “Pimentinha” também o fazia. Por isso agradeço à Elis por ter deixado uma semente nesse mundo que nos supra a falta que ela tanto faz.

Não vi Elis, mas vi Maria.


25 de agosto de 2011

#regresso

Um botão de rosa no saguão lotado. Bocas apreensivas perguntavam – cadê ela? Será que era esse o voo certo? As xícaras na mesa. O lugar vago a esperar pela menina que se fora. Os olhos da vovozinha de cabelos pintados estavam marejados de angústia, por conta de uma ausência que seria hoje finalmente preenchida. Eu voltei.

Foram dez meses fora. Out total da realidade de um país mergulhado em um problema funcional tão grande, que o único sentimento que restou no povo foi o de “não tem mais jeito”. As conversas de como fora minha “vida lá fora” se resumiam a uma triste constatação: estamos longe, muito longe, do caminho certo. Não digo que sinto a mesma coisa, que acho que nosso país está perdido e fadado a lama. Vivi muito bem na Alemanha. Tudo funcionava corretamente aos meus olhos. Mas não se pode comparar a rotina de um convidado na sua casa com a sua, por exemplo. O país também luta contra problemas internos, só que diferentes dos nossos. A cada testemunho, deixo meu recado de conforto dizendo “dá sim pra melhorar, se eles podem ser assim, nós também podemos”. A solução está na educação.

Foram muitos os abraços apertados, as quase lágrimas de reencontro, os sorrisos saudosos. Revi amigos, parentes e até conhecidos que há anos não encontrava. Momentos que duraram minutos, outros de horas. Muitos reencontros já me cansam. É tanta novidade para colocar a par, que minhas forças andam se esvaindo. Ou talvez seja o fuso horário que meu corpo ainda não absorveu. As fofocas rolam soltas, as risadas mais ainda. É tão bom sentir-se amada e querida novamente, principalmente pelas pessoas especiais na nossa vida. No fim, é sempre a família o nosso porto seguro, por mais clichê e démodé que pregar isso possa parecer.


Retornar, regressar, reviver, rever. Tudo que tenho agora que fazer. Em certos aspectos é triste observar como certas pessoas e lugares continuam os mesmos. Se não há nada de novo, será que eu também não mudei? Será que morar em outro país não me transformou nem um pouquinho? Acredito que não. Toda experiência vivida acrescenta algo em nossa vida. O conhecimento não ocupa espaço e todos somos substituíveis, por mais únicos que nos sintamos ou de fato somos. É estranho olhar seu lugar ocupado por outro, mas como cíclica que a vida é, assim tem de ser. Saímos, construímos, e desapegar-se do que passou faz parte do processo. Cortar o cordão dói, mas descobrir que não se evolui dói muito mais.

Sei que em mim o calor do verão europeu ainda não esfriou. Porém o lugar à mesa está novamente ocupado. Casa: aqui me tens de regresso.